Era
uma vez, Cândido, um senhor de oitenta anos que tinha quatro netos.
Seus nomes eram: João, Eduardo, Samuel e Teco.
Certo
dia, seus quatro netos o indagaram sobre a gênese do mundo e
Cândido, com grande afinco, contou-lhes uma história diferente em
relação às ditas no cotidiano das crianças.
Ele
contou que há muito tempo, o Amor nasceu e era parecido com um beijo
de duas estrofes que se rimam. Logo após, seu surgimento, o tempo
passou e o amor estava sozinho, grande, com sua mente cheia de
sonhos, mas com as mãos vazias.
Ele
acreditava em muitas razões, entretanto, havia apenas uma para
acreditar. Como, por exemplo, ser a morada do homem ao saber que a
cabeça ensina falar, mas o amor a calar.
O
Amor sentia vontades e resolveu criar um caminho para elas. Para
isso, trabalhou para alcançar a todos em sua jornada, bastando
sentir a coragem, aquela que domina o medo, quando este é ausente.
Consequentemente,
o amor cresceu a cada dia mais com determinados aprendizados, mas ele
sabia que estava se passando muito tempo. Dessa maneira, logo
resolveu começar sua caminhada ao cabo de roubar o Coração. E, com
urgência, procurou por vários lugares, ficou cansado e em seguida,
sentiu vontade de descansar.
Sendo
assim, Amor, descansou. Todavia, ele não acordava mais. Porém,
felizmente, o Coração achou-o e pegou-o, sem saber a razão.
Respectivamente, quando o Amor sentiu o Coração acordou de súbito
e embriagado com essa emoção, perguntou:
-
Meu caro, eu não sou seu. Sou puro e não pode me tocar, pois
procuro... um coração.
No
mesmo instante, ele ficou extasiado com a energia do Coração.
-
Amor, eu sou um coração, sua essência e sua base, segundo seus
mandamentos. Senti-os quando toquei você. Um deles é: quem não tem
caráter, não é homem, é objeto. Eu não quero ser objeto, e sim
completo. E, eu sei também do seu desejo para encontrar alguém como
eu, mas que algum coração no mundo tenha tanta sorte como eu de
encontrar, por acaso, o verdadeiro amor esperando meu toque, disse, o
Coração, já desesperado pela aceitação do Amor, diante dele.
Logo
em seguida, o Amor, calou-se, profetizando a criação de seres
criados por sentimento e movidos por sentimentos.
O
vovô Cândido finalizou a história para seus netos, e, em seguida,
Teco perguntou a ele:
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| Imagem ilustrativa | Via: bardeferreirinha.blogspot.com |
-Por
que as pessoas não contam essa história, vovô?
Cândido,
escreveu em um papel a resposta e disse ao neto:
-
Quando tiver minha idade, leia esta frase com mais atenção e irá
entender o motivo do nosso mundo ser diferente da história. Disse o
avô, sorrindo levemente para Teco.
Teco
guardou a carta que dizia o seguinte: “Os amados não devem morrer,
pois o amor é imortal.”
Autora:
Brenda Ellora Alves

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