quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Sobre o amor

Era uma vez, Cândido, um senhor de oitenta anos que tinha quatro netos. Seus nomes eram: João, Eduardo, Samuel e Teco.
Certo dia, seus quatro netos o indagaram sobre a gênese do mundo e Cândido, com grande afinco, contou-lhes uma história diferente em relação às ditas no cotidiano das crianças.
Ele contou que há muito tempo, o Amor nasceu e era parecido com um beijo de duas estrofes que se rimam. Logo após, seu surgimento, o tempo passou e o amor estava sozinho, grande, com sua mente cheia de sonhos, mas com as mãos vazias.
Ele acreditava em muitas razões, entretanto, havia apenas uma para acreditar. Como, por exemplo, ser a morada do homem ao saber que a cabeça ensina falar, mas o amor a calar.
O Amor sentia vontades e resolveu criar um caminho para elas. Para isso, trabalhou para alcançar a todos em sua jornada, bastando sentir a coragem, aquela que domina o medo, quando este é ausente.
Consequentemente, o amor cresceu a cada dia mais com determinados aprendizados, mas ele sabia que estava se passando muito tempo. Dessa maneira, logo resolveu começar sua caminhada ao cabo de roubar o Coração. E, com urgência, procurou por vários lugares, ficou cansado e em seguida, sentiu vontade de descansar.
Sendo assim, Amor, descansou. Todavia, ele não acordava mais. Porém, felizmente, o Coração achou-o e pegou-o, sem saber a razão. Respectivamente, quando o Amor sentiu o Coração acordou de súbito e embriagado com essa emoção, perguntou:
- Meu caro, eu não sou seu. Sou puro e não pode me tocar, pois procuro... um coração.
No mesmo instante, ele ficou extasiado com a energia do Coração.
- Amor, eu sou um coração, sua essência e sua base, segundo seus mandamentos. Senti-os quando toquei você. Um deles é: quem não tem caráter, não é homem, é objeto. Eu não quero ser objeto, e sim completo. E, eu sei também do seu desejo para encontrar alguém como eu, mas que algum coração no mundo tenha tanta sorte como eu de encontrar, por acaso, o verdadeiro amor esperando meu toque, disse, o Coração, já desesperado pela aceitação do Amor, diante dele.
Logo em seguida, o Amor, calou-se, profetizando a criação de seres criados por sentimento e movidos por sentimentos.
O vovô Cândido finalizou a história para seus netos, e, em seguida, Teco perguntou a ele:
Imagem ilustrativa | Via: bardeferreirinha.blogspot.com
-Por que as pessoas não contam essa história, vovô?
Cândido, escreveu em um papel a resposta e disse ao neto:
- Quando tiver minha idade, leia esta frase com mais atenção e irá entender o motivo do nosso mundo ser diferente da história. Disse o avô, sorrindo levemente para Teco.
Teco guardou a carta que dizia o seguinte: “Os amados não devem morrer, pois o amor é imortal.”

Autora: Brenda Ellora Alves

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