domingo, 6 de dezembro de 2015

Margarida


Foto: Via vanderlandomingod.blogspot.com

Nos conhecemos e logo nos demos bem.
Como não me encantar com essa senhora de nome de flor? Ainda mais, minha flor preferida!
Teci tranças com seus longos fios grisalhos.
Comprei bilhetes de loteria, me vesti de noiva com o vestido que ela costurou pra mim, conheci seu marido (‘’um pedaço de mal caminho’’).
Fiz tudo que ela me propôs, tudo que acontecia em seu mundo.
Nos tornamos amigas.
Certo dia, cheguei e ela não estava lá.
‘’Caiu’’, disseram. ‘’Foi pra Santa Casa.’’
Me entristeci. Começava março.
No dia do meu aniversário, cerca de uma semana depois, retornei ao asilo.
Lá estava! Margarida!
A pobrezinha, porém, estava abatida.
Não falava, não vendia seus bilhetes, não me contava da Hungria.
Sentei-me ao seu lado e lhe dei a mão.
Ficamos em silêncio, colocando o carinho no olhar.
Um bom tempo depois, ela sorriu.
E sorrindo, disse: ‘’é seu aniversário. Vá ao jardim e colha as flores mais bonitas. Esse é meu presente.’’
Depois, nunca mais ouvi sua voz.

Mas esse presente, eu ainda guardo comigo. 
Autora: Larissa Lopes

O tempo

O tempo passa rapidamente para todos nós. Nascemos, crescemos e envelhecemos, é assim para todos como um ciclo, um ciclo que rege todos os seres vivos. 
E qual a primeira coisa que lhe vêm à mente, quando se ouve a palavra velhice?
Imagem: Via hierophant.com.br
Podemos associar a rugas, porém, essas marcas são apenas lembretes do que aquela pele sentiu, de todas as sensações, todos os prazeres e dores, de todos os amores e desamores. A memória já não é mais a mesma, se esquecem das coisas do agora, todavia trazem o passado consigo.
Sentem-no como se fosse o presente. Todas as pessoas que participaram das suas vidas, talvez hoje mortas, estão vivas, são e salvas. A perda nunca os ocorreu e não pode-se julgar, talvez tenha sido a forma menor dolorosa de suportá-las. Mas para quem sabe que o passado está distante, é impossível contar a própria história sem se emocionar. Sem lembrar de cada perda, derrota, de cada vitória, cada escolha, de todos os caminhos de mão dupla que as envolveram.
É com orgulho que contam o que são hoje, tudo o que passaram para chegar onde chegaram. Mesmo com toda a nostalgia, sabem, que cada segundo valeu a pena e nós que vivemos o futuro passado como presente, devemos aproveitar.
Pois nada substitui a sensação de olhar para trás, ver todas as situações, todas as risadas e sorrisos, todas as vezes que chorou e perdeu a calma, quando passou por coisas marcantes e todos os momentos que nada aconteceu, como as tardes preguiçosas de domingo, todas as pessoas que conheceu, que amou ou odiou, nada é maior do que olhar e sentir-se vitorioso com a vida.
O tempo passa rapidamente para todos nós.
Autoras: Beatriz Miranda e Laura Chaile

Shirley

Imagem Ilustrativa | Créditos na imagem


Minha primeira visita ao asilo.
Eu tinha 15 anos.
Entrei na sala escura, com sofás de couro vermelho e cadeiras de rodas.
Recebi muitos sorrisos, apertos de mão e olhares com um sem fim de sentimentos.
Mas foi um olhar, astuto e divertido, que mais me chamou a atenção.
Ele vinha de olhinhos miúdos, emoldurados por um cabelo curtinho, branco e rebelde.
Sentada confortavelmente no sofá, usando um vestido de bolinhas que caía graciosamente sobre seu corpo gorducho – e que eu veria muitas vezes mais, mas não tantas quanto eu gostaria – , estava uma senhora recém-chegada ao asilo.
Quando me aproximei dela naquele novembro quente, quando aquele olhar cheio de vida pousou em mim, eu nem podia imaginar que estava prestes a conhecer minha melhor amiga.
Autora: Larissa Lopes

Visita ao asilo

No dia 03/10, eu e um grupo de amigos visitamos um asilo. Chegamos lá por volta das 14h, horário em que os idosos já tinham almoçado, e estavam descansando.

Em seguida, fomos conversar com eles que ali moravam. Nessa conversa, os idosos nos contaram partes de sua realidade cotidiana e história de vida. Chamou minha atenção a felicidade que alguns deles ficaram pelo simples fato da gente ter dado um pouco da nossa atenção a eles.

Vitória (no centro de branco) e seus amigos durante a visita ao asilo
No entanto, ficou evidente por meio da conversa, que a maior carência deles é afetiva. Muitos foram esquecidos pela família, que não realizam visitas, nem nas datas importantes. Fiquei muito comovida com tudo que pude ver lá, em especial de uma senhora que me contou que é sozinha no mundo, que não tem mais parentes.

Isso trouxe para mim uma nova formar de olhar a vida, porque com alguns depoimentos pude perceber que, às vezes, a felicidade se encontra nas simples coisas da vida, como um carinho, uma atenção e gentileza. Esses detalhes fazem toda diferença.


Eu só quero agradecer por ter ido lá, por ter aprendido todas essas coisas, e por saber que essa visita fez toda diferença para esses idosos.

Autora: Vitória Ercolini

sábado, 5 de dezembro de 2015

Dona Nair



Nair, mulher senhora.
Mulher de muitas dores,
mulher de dois amores.

Nair, mulher sábia.
Mulher que vê o mundo com o coração,
mulher que ensina o perdão.

Nair, mulher vivida.
Mulher que emana amor,
mulher que não enxerga dor.

Nair, que não se cala.
Nair, que de amor fala.
Nair para sempre em meu coração.

Autora: Nauali Ghattas

Minha amiga hipotética

Não me lembro o nome dela, neste instante me falha a memória, mas se tem uma coisa que me recordo é do que temos em comum: nós duas amamos comer.

Imagem mera - e infelizmente - ilustrativa

Sorvete, pamonha, pizza, bolo, brigadeiro, coxinha... E tudo mais que a gente saliva e sente água na boca só de imaginar.

Esse cardápio pode não ser dos mais saudáveis, mas é daqueles que torna o ato de comer não somente uma obrigação de nutrir o corpo, mas algo prazeroso.

Para uns, isso pode soar como bobagem, para outros, pode parecer gula. Mas a ideia aqui é que parar de vez em quando para se deliciar com lanchinhos saborosos enquanto conversa com amigos é um daqueles poucos prazeres que nós não devemos nos privar. E, pelo que parece, isso não muda com o passar dos tempos, e é bom em qualquer idade, seja aos 24, seja aos 70 anos.

E é por isso que eu me identifiquei com aquela senhora simpática. E aposto que se a gente sentasse algum dia para comer alguma gordice, iríamos conversar e nos deliciar o dia inteiro!

Autora: Nahida Almeida Ghattas

A lição de Nair


Nair não enxerga direito, mas vê as coisas melhor que muita gente. Enquanto muitos inventam desculpas para não ajudar o próximo, ela batia de porta em porta para pedir roupas e alimentos e doar a quem precisa.

Enquanto alguns reclamam e se estressam por perder o ônibus, elas perdeu dois maridos e um filho e ainda assim nos recebe para conversar sua história com um sorriso no rosto.

É fato que Nair viveu. Ajudou, sofreu, amou, cuidou e hoje não se acanha em compartilhar suas experiências e conhecimentos com quem tiver disposto a ouvir.

E a lição que ela deixa é: viva! A vida sempre será cheia de altos e baixos, isso é inevitável e incontrolável. Mas se tem uma coisa que podemos controlar é a nossa atitude em relação a esses acontecimentos. E como Nair nos ensinou, que ela seja sempre positiva.

Autora: Nahida Almeida Ghattas

Asilo São Vicente de Paulo: sinônimo de vida

Durante a proposta do projeto Memórias na Rede, que tem como objetivo principal a inclusão da pessoa idosa na sociedade, fomos até o asilo São Vicente de Paulo, em Bragança Paulista, conhecer em loco a realidade de cada idoso asilado nessa instituição.

Entrada do Asilo São Vicente de Paulo
Foto: Via BJD
Ao longo da visita, foi abordada uma senhora muito alegre de 62 anos, que se chama Maria. O que mais me chamou a atenção foi o seu sorriso meigo e iluminado, cheio de carisma, que logo veio ao meu encontro para conversar. Quando dona Maria se aproximou, logo percebi que ela estava com algo em mãos.
Diante disso, eu perguntei para ela o que segurava tanto em sua mão, daí quando ela abriu, logo pude observar dois cigarrinhos amassado e um isqueiro. Dona Maria gosta muito de fumar, esse é seu passatempo preferido.
O intrigante é que ao começar contar sua história, ela afirma que chegou muito debilitada na instituição, apresentando vários problemas de saúde e que vivia numa situação muito precária, e muitas vezes afogava suas mágoas no alcoolismo.
Hoje com a saúde recuperada, desfruta de momentos muito agradáveis com suas companheiras da instituição, como sair para lanchar, dançar e respirar ar puro no Jardim Público.
Diz até mesmo que a situação de abrigo, foi a melhor coisa que aconteceu em sua vida, pois ali conquistou novas amizades e ganhou uma cirurgia plástica nos olhos, algo que elevou muito sua autoestima.
Nessa perspectiva, hoje dona Maria reconheceu sua própria identidade, pois diz que não lhe falta exatamente nada, e que sua nova morada pode proporcionar algo que até então não conhecia: qualidade de vida.

Autor: Marcio Barreto

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Uma tarde no asilo

O asilo é um lugar onde pessoas idosas convivem com outras pessoas idosas, onde já eles já vivenciaram vitórias e derrotas da vida. Hoje alguns deles estão lá porque filhos não tiverem paciência com eles ou acharam melhor deixar seus pais em um lugar de descanso.

Os asilos de todo o mundo são lugares onde os idosos recebem carinho, proteção, e atenção. Essas são coisas que podem ser pouco para nós jovens e adultos, porém são também um grande tesouro para um idoso. Asilo não é um lugar onde idosos são maltratados, é um lugar onde eles podem descansar o corpo e não precisam se preocupar com a vida.

No dia 03 de outubro de 2015, em Bragança Paulista, jovens foram visitar o Asilo São Vicente de Paulo. Chegando lá eles foram para a Ala Madre Paulina, quando entraram, cada um foi para um canto para falar com os Idosos, uma turma foi conversar com uma idosa e ela começou a contar que era ruim ter que conviver com a solidão e a tristeza ao seu lado por muito tempo.

Lucas (de pé) durante a visita ao ailo


Explicou que quando Deus criou o homem e a mulher, ele pensava em fazer um casal com o moço e a moça. Com isso, através do tempo, eles deveriam ter relações sexuais e filhos. Mas não só um filho ou uma filha, como também mais de dois e três filhos. Falou que se Deus criou o Adão e a Eva, era para que eles vivenciassem o amor, a paz, a união e a solidariedade um com o outro e para que eles não tivessem ódio um do outro.

Na Ala São José, havia um Senhor chamado Antonio, com 80 anos de idade que antes de ir para o asilo, e morava no Bairro da Boa Vista, em Bragança Paulista.

Ele falou que era um homem trabalhador, que havia vindo da roça e que morou na área rural por mais de 50 anos. Trabalhou como vendedor de milho, café, banana e outros tipos de alimentos e vendia batendo nas casas dos moradores por lá para poder viver, tendo com aquilo um bom dinheiro para poder sustentar a sua família e a ele.

Também comentou que sua vida havia sido legal na roça, que durante o tempo a vida foi ensinando coisas que ele jamis esperava em acontecer em com ele.

E por último, na Ala Lar, havia uma senhora chamada Dalma, que vive no asilo há muito tempo, e mora com seu Marido lá. Ela contou que viveu em Bragança Paulista por muito tempo e casou com apenas 17 anos de idade. Conheceu seu amor quando ele se mudou ao lado de sua antiga casa, começou a pensar que ela era muito atraente e viu que aquele era o homem certo para sua vida.

Falou que no começo do namoro, ele era muito ciumento, mas através do tempo ele percebeu que não era preciso ter ciúmes dela e nem ela ter ciúmes dele. Viram que o amor que eles sentiam um pelo outro era cheio de confiança e amizade. Disse ainda que foi a primeira-dama da cidade, pois seu marido foi prefeito de Bragança Paulista.

Nesse dia no Asilo, os jovens aprenderam uma coisa: que na vida todos nós precisamos respeitar os outros, ter amor ao próximo e principalmente compreensão. Todas as pessoas, independente de serem feliz ou tristes, más ou boas, devem ajudar o próximo sem ter que esperar algo em troca.


Autor: Lucas Tiburcio Geronimo

Fases de uma vida

Imagem ilustrativa | Via: nacasadaana.com.br

Todos temos sonhos e desafios, dificuldades e superações, temos o começo e o fim, a juventude e a velhice, todos temos experiências que marcarão nossa vida e, com certeza, visitar o asilo foi algo que marcou a minha.

Lá, conheci idosos, mas não simplesmente pessoas esquecidas pela sociedade, e sim pessoas que apesar de muitas dificuldades continuam com um sorriso no rosto e um olhar de criança. Que repartem as suas histórias e tudo o que querem é alguém para conversar.

Também conheci pessoas que adoram sua vida lá, mas também pessoas que querem liberdade. Conheci sonhos perdidos e outros realizados, aprendi lições de vidas e com eles estou aprendendo o que é viver.

Autora: Giullia Leonardi Gonçalves

Minha visita ao asilo

Dia 3 de outubro de 2015, eu e um grupo de amigos fomos visitar um asilo. Nós chegamos lá por volta das 14h. Esse é mais ou menos o horário em que os idosos estão tomando café da tarde. Em seguida, nós fomos para área das mulheres, fiquei muito surpresa com as histórias que elas me contaram.

Emily e seus amigos na visita ao asilo

Lembro de uma senhorinha que me deixou muito feliz com uma coisa que ela falou. Ela disse que não tinha muitos parentes e nem amigos, mas que mesmo assim ela era uma senhora muito extrovertida e feliz. Isso me fez refletir que às vezes a gente reclama muito por pouca coisa e essas pessoas que não têm quase nada são felizes.

Na sequência, fomos para área dos senhores e logo após fomos para a área chamada lar, onde ficam as pessoas que pagavam para morar no asilo. Quando a gente entrou, eles estavam assistindo televisão, então nós fomos conversar com eles.

Outra mulher me surpreendeu ao dizer que fazia só três dias que ela estava lá, que ela tinha sido roubada e perdido tudo o que tinha e que a sobrinha dela viaja muito trabalhando e colocou ela lá, pois não tinha tempo para cuidar dela. Essa senhora estava muito triste porque não estava acostumada a ficar lá ainda e ela não tinha nenhuma amiga.

Por fim, eu agradeço a todos do projeto Memórias na Rede, por me ajudarem a saber um pouco mais sobre a redação e também pela visita ao asilo que me fez meditar sobre lições importantes da vida.


Autora: Emily Silva

Sobre o amor

Era uma vez, Cândido, um senhor de oitenta anos que tinha quatro netos. Seus nomes eram: João, Eduardo, Samuel e Teco.
Certo dia, seus quatro netos o indagaram sobre a gênese do mundo e Cândido, com grande afinco, contou-lhes uma história diferente em relação às ditas no cotidiano das crianças.
Ele contou que há muito tempo, o Amor nasceu e era parecido com um beijo de duas estrofes que se rimam. Logo após, seu surgimento, o tempo passou e o amor estava sozinho, grande, com sua mente cheia de sonhos, mas com as mãos vazias.
Ele acreditava em muitas razões, entretanto, havia apenas uma para acreditar. Como, por exemplo, ser a morada do homem ao saber que a cabeça ensina falar, mas o amor a calar.
O Amor sentia vontades e resolveu criar um caminho para elas. Para isso, trabalhou para alcançar a todos em sua jornada, bastando sentir a coragem, aquela que domina o medo, quando este é ausente.
Consequentemente, o amor cresceu a cada dia mais com determinados aprendizados, mas ele sabia que estava se passando muito tempo. Dessa maneira, logo resolveu começar sua caminhada ao cabo de roubar o Coração. E, com urgência, procurou por vários lugares, ficou cansado e em seguida, sentiu vontade de descansar.
Sendo assim, Amor, descansou. Todavia, ele não acordava mais. Porém, felizmente, o Coração achou-o e pegou-o, sem saber a razão. Respectivamente, quando o Amor sentiu o Coração acordou de súbito e embriagado com essa emoção, perguntou:
- Meu caro, eu não sou seu. Sou puro e não pode me tocar, pois procuro... um coração.
No mesmo instante, ele ficou extasiado com a energia do Coração.
- Amor, eu sou um coração, sua essência e sua base, segundo seus mandamentos. Senti-os quando toquei você. Um deles é: quem não tem caráter, não é homem, é objeto. Eu não quero ser objeto, e sim completo. E, eu sei também do seu desejo para encontrar alguém como eu, mas que algum coração no mundo tenha tanta sorte como eu de encontrar, por acaso, o verdadeiro amor esperando meu toque, disse, o Coração, já desesperado pela aceitação do Amor, diante dele.
Logo em seguida, o Amor, calou-se, profetizando a criação de seres criados por sentimento e movidos por sentimentos.
O vovô Cândido finalizou a história para seus netos, e, em seguida, Teco perguntou a ele:
Imagem ilustrativa | Via: bardeferreirinha.blogspot.com
-Por que as pessoas não contam essa história, vovô?
Cândido, escreveu em um papel a resposta e disse ao neto:
- Quando tiver minha idade, leia esta frase com mais atenção e irá entender o motivo do nosso mundo ser diferente da história. Disse o avô, sorrindo levemente para Teco.
Teco guardou a carta que dizia o seguinte: “Os amados não devem morrer, pois o amor é imortal.”

Autora: Brenda Ellora Alves

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Dalma e José



E foi assim que aconteceu... Seu José se mudou para a casa ao lado da casa de Dona Dalma há muitos anos, ambos saíam em seus quintais, se olhavam e acenavam um para o outro.

Seu José era um homem bonito, de olhos verdes e cabelos crespos, recorda Dona Dalma. Depois de um tempo, não demorou muito para descobrirem que se amavam, e que esse amor duraria para sempre. Dona Dalma tinha apenas 17 anos quando seu José a pediu em casamento, deixando claro que ela já era a mulher da vida dele.

O casamento sempre foi ótimo. Nunca sentiram ciúmes, pois os dois confiavam muito um no outro, e também tiveram filhos, filhos muito bonitos e que seguem os passos dos pais de se envolverem com pessoas que valem a pena.

Algum tempo depois, seu João foi eleito prefeito da cidade, e segundo Dona Dalma, ela adorava ser primeira-dama, porque podia ajudar o marido nas melhorias da cidade. Sendo assim, os anos passam e os dois continuam juntos como sempre, seja lá onde estiverem, até mesmo no asilo, que é o lugar onde vivem hoje.

Lá podemos ver que o amor dos dois nunca mudou, podemos ver Seu Jodormindo em sua poltrona e Dona Dalma ao seu lado, segurando sua mão, demonstrando que o carinho que ela sente por ele nunca diminuiu, mas só aumentou com os anos, e assim podemos falar também de Seu Jo, que se sente totalmente seguro com sua mulher ao seu lado.

Autora: Paula Martins

A vida, o tempo, e minha velha cadeira de balanço

Aqui estou eu, sentada sobre a velha cadeira de balanço que Josefina, minha única filha, gostava tanto!
Lembro-me bem que no ano de 1946, do dia de minha querida santinha de devoção, Nossa Senhora da Esperança, vi Josefina, na sala da nossa casa, conversando com a cadeira, a que contei anteriormente.
Dona Otília, a dona desta história
Eu escolhia os feijões da última colheita, e quando passava de um cômodo para outro, a via sempre entretida. Parecia que a cadeira, para ela, era a sua melhor amiga, e que a ela contava seus segredos.
Cheguei a pensar que ela precisava ter mais contato com a criançada, ou ter uma ocupação, até mesmo bordado e crochê como as mocinhas da Rosa do Chico. Tanto talento tinham, e ainda ajudavam nas despesas da casa, pois eram em cinco pessoas. Mas pensei melhor e mudei de ideia. Josefina era muito menina, não iria se animar em ver linhas e agulhas e panos de bordado na maior parte do dia, enquanto a molecada brincava lá fora. Graças a Deus, meu marido tinha boa renda, e dava pra viver com luxo em relação às famílias da minha época.
Apesar de morarmos numa cidadezinha do interior, onde ainda se brincava do que meu irmão e eu brincávamos, por volta de 1927, Josefina preferia ficar horas conversando com as amigas, brincando sozinha ou andando pelo pomar, tocando e apreciando os frutos do nosso abençoado sítio.
Mas, naquele dia foi diferente. Era como se estivesse com alguém de verdade, pois ouvia, falava e tentava tocar, o que a fez parecer estar alegre como nunca a vira antes.
Olhei para a sala, e a vi novamente. De supetão, parei de escolher os feijões, me levantei e fui conversar com ela. Recordo-me até das palavras que usamos, e do olhar que ela me deu, ao me aproximar.
- O que você está fazendo aí, em frente a essa cadeira há tanto tempo, minha filha?
- Mãe, é a vovó, não tá vendo?
Naquele momento percebi que os pelos do meu corpo se arrepiaram. Por mais que eu não acreditasse que os mortos pudessem manter contato conosco, as palavras de Josefina eram tão convictas, que não aguentei e desabei em lágrimas.
Josefina parece que compreendeu minha emoção. Mesmo em prantos, tive forças para perguntar a ela:
- E o que vovó te disse?
- Ela disse que sempre vê o tudo o que eu faço. Mas como, mãe, se ela tá lá no céu, como a senhora sempre diz?
- Mas de lá de cima deve dar pra ver tudo, minha filha, tudo. Acho que, quando ela quer, vem aqui em casa, como agora, nos visitar. Só que quase sempre não a vemos
- É verdade mãe, porque depois que a senhora veio, ela levantou da cadeira e me disse que sempre tá perto da gente, que eu vou vê-la de novo e que não vai demorar... Parece que ela não queria mesmo que a senhora a visse.
Lembro-me, chorei demais pelas palavras que minha mãe, a avó de Josefina, usou. Como "não vai demorar"? Naquela época, minha filha tinha apenas onze anos, não suportaria perdê-la!
Só depois de sete anos é que parei de pensar no que aconteceu, no ano em que Josefina se casou. Minha mãe sempre dizia que no céu não se tinha noção de tempo, e talvez fosse verdade. Talvez não fosse a morte o que minha falecida mãe se referia; talvez ela apareceu à minha filha outra vez e ela não me contou; talvez eu tivesse sofrido em vão.
Somente no ano de 1978 eu, aos sessenta e um anos, entendi, finalmente, o que mamãe quis dizer. Josefina faleceu de câncer no pulmão, aos quarenta e três anos.
Sofri durante anos, apesar de ter aproveitado bem o tempo que estive com ela nesta vida.
Consegui superar a dor com a ajuda das minhas queridas netinhas, a Roseli e a Patrícia e com as lembranças da minha Josefina.
Hoje elas são professoras, ensinam os jovens a ler e a fazer continhas, coisas que eu não tive oportunidade quando menina, só depois de velha.
E agora olhando para essa cadeira tão antiga, na qual faço meus tapetes pra vender quando vêm visitas aqui no asilo, onde moro hoje, ainda tenho forças pra continuar, pois sei que há muita gente que sofreu muito mais do que eu sofri. Acredito que como Josefina, breve estarei ao lado de minha mãe e de meu marido lá no céu, com os anjos, os santos e com o meu bom Deus.
Autora: Andressa Francelina

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Memórias na Rede: um pouco da nossa história

Olá! Boas vindas a você que visitou o nosso blog e está conferindo a nossa primeiríssima postagem! Meu nome é Nahida Almeida Ghattas, tenho 24 anos de idade e sou uma das organizadoras do Memórias na Rede. Hoje eu vou contar para vocês um pouquinho da história do nosso projeto.

Bem, tudo começou quando depois de terminar a faculdade de jornalismo em abril de 2014 – estudei na UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso) -, eu voltei para Bragança Paulista – SP. Sabe aquele momento de transição em que você fica meio perdida, sem saber o que fazer e qual será o próximo capítulo da sua vida? Então, foi mais ou menos isso que aconteceu comigo.

Nesse período, eu que já conhecida o projeto Abraço Social, participei de um encontro deles e fiz uma visita ao asilo com a turma. Foi a primeira vez que eu fui a um asilo e a experiência foi incrível. Achei tão bacana conversar com aquelas pessoas cheias de histórias incríveis para contar e poder dar um pouco de atenção para quem nem sempre tem que os ouça.

Depois disso, eu continuei a ir ao local algumas vezes, mas com a correria de trabalho e outros compromissos fiquei um bom tempo sem voltar. Só que isso não significava que eu tenha me esquecido deles ou da experiência.

Tinha sempre em mente que gostaria de voltar ou realizar algum tipo de projeto que contasse a história deles para mais pessoas. Eu só não sabia como fazer isso.

Foi então que eu conheci o projeto Entrando em Cena no Mundo, que tem a proposta de formar jovens empreendedores socioculturais, e participei das oficinas que eu descobri como poderia colocar esse sonho em prática.

É que lá, a gente aprendeu como escrever, propor e viabilizar um projeto e encontrei o meu parceiro Beto Maciel, que me ajudou e tem me ajudado muito a fazer essa ideia se tornar real.

No final desse curso, nós concorremos a um prêmio e ficamos em primeiro lugar! Esse foi o primeiro passo para que o Memórias chegasse ao mundo. Aproveito este espaço para agradecer primeiramente a Deus pela oportunidade de realizar um sonho que Ele mesmo colocou no meu coração, ao meu parceiro Beto que tanto me auxilia, ao apoio do Entrando em Cena, da Ases (Associação de Escritores de Bragança Paulista) e do Asilo São Vicente de Paulo, que nos abriram suas portas para que o nosso trabalho fosse realizado.

Eu e o Beto no dia em que recebemos o prêmio

Então, em agosto de 2015 nós começamos a divulgar o nosso projeto. Em setembro rolou a primeira fase e nós demos oficinas de redação para jovens. Agora, a gente está se preparando para levar a turma para visitar o Asilo São Vicente de Paulo. As visitas acontecerão nos dias 03 e 04/10.

A turma que participou da segunda oficina com a gente :D

Depois desses encontros, teremos mais uma oficina de redação, onde nossos alunos escreverão textos sobre as conversas que terão com os idosos e a experiência que viverão no local. E advinha só onde essas histórias irão parar? Isso mesmo, aqui neste blog!

Por isso, fique de olho aqui e na nossa página e não perca a oportunidade de conhecer o que os moradores do São Vicente de Paulo têm a nos contar. Ah! E se você conhece a história de algum idoso, morador do asilo ou não, e quiser contar para a gente, envie-nos um e-mail para memoriasnarede@gmail.com ou nos contate pelo facebook que a gente publica!


Beijos e até a próxima! :*