quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Uma tarde no asilo

O asilo é um lugar onde pessoas idosas convivem com outras pessoas idosas, onde já eles já vivenciaram vitórias e derrotas da vida. Hoje alguns deles estão lá porque filhos não tiverem paciência com eles ou acharam melhor deixar seus pais em um lugar de descanso.

Os asilos de todo o mundo são lugares onde os idosos recebem carinho, proteção, e atenção. Essas são coisas que podem ser pouco para nós jovens e adultos, porém são também um grande tesouro para um idoso. Asilo não é um lugar onde idosos são maltratados, é um lugar onde eles podem descansar o corpo e não precisam se preocupar com a vida.

No dia 03 de outubro de 2015, em Bragança Paulista, jovens foram visitar o Asilo São Vicente de Paulo. Chegando lá eles foram para a Ala Madre Paulina, quando entraram, cada um foi para um canto para falar com os Idosos, uma turma foi conversar com uma idosa e ela começou a contar que era ruim ter que conviver com a solidão e a tristeza ao seu lado por muito tempo.

Lucas (de pé) durante a visita ao ailo


Explicou que quando Deus criou o homem e a mulher, ele pensava em fazer um casal com o moço e a moça. Com isso, através do tempo, eles deveriam ter relações sexuais e filhos. Mas não só um filho ou uma filha, como também mais de dois e três filhos. Falou que se Deus criou o Adão e a Eva, era para que eles vivenciassem o amor, a paz, a união e a solidariedade um com o outro e para que eles não tivessem ódio um do outro.

Na Ala São José, havia um Senhor chamado Antonio, com 80 anos de idade que antes de ir para o asilo, e morava no Bairro da Boa Vista, em Bragança Paulista.

Ele falou que era um homem trabalhador, que havia vindo da roça e que morou na área rural por mais de 50 anos. Trabalhou como vendedor de milho, café, banana e outros tipos de alimentos e vendia batendo nas casas dos moradores por lá para poder viver, tendo com aquilo um bom dinheiro para poder sustentar a sua família e a ele.

Também comentou que sua vida havia sido legal na roça, que durante o tempo a vida foi ensinando coisas que ele jamis esperava em acontecer em com ele.

E por último, na Ala Lar, havia uma senhora chamada Dalma, que vive no asilo há muito tempo, e mora com seu Marido lá. Ela contou que viveu em Bragança Paulista por muito tempo e casou com apenas 17 anos de idade. Conheceu seu amor quando ele se mudou ao lado de sua antiga casa, começou a pensar que ela era muito atraente e viu que aquele era o homem certo para sua vida.

Falou que no começo do namoro, ele era muito ciumento, mas através do tempo ele percebeu que não era preciso ter ciúmes dela e nem ela ter ciúmes dele. Viram que o amor que eles sentiam um pelo outro era cheio de confiança e amizade. Disse ainda que foi a primeira-dama da cidade, pois seu marido foi prefeito de Bragança Paulista.

Nesse dia no Asilo, os jovens aprenderam uma coisa: que na vida todos nós precisamos respeitar os outros, ter amor ao próximo e principalmente compreensão. Todas as pessoas, independente de serem feliz ou tristes, más ou boas, devem ajudar o próximo sem ter que esperar algo em troca.


Autor: Lucas Tiburcio Geronimo

Fases de uma vida

Imagem ilustrativa | Via: nacasadaana.com.br

Todos temos sonhos e desafios, dificuldades e superações, temos o começo e o fim, a juventude e a velhice, todos temos experiências que marcarão nossa vida e, com certeza, visitar o asilo foi algo que marcou a minha.

Lá, conheci idosos, mas não simplesmente pessoas esquecidas pela sociedade, e sim pessoas que apesar de muitas dificuldades continuam com um sorriso no rosto e um olhar de criança. Que repartem as suas histórias e tudo o que querem é alguém para conversar.

Também conheci pessoas que adoram sua vida lá, mas também pessoas que querem liberdade. Conheci sonhos perdidos e outros realizados, aprendi lições de vidas e com eles estou aprendendo o que é viver.

Autora: Giullia Leonardi Gonçalves

Minha visita ao asilo

Dia 3 de outubro de 2015, eu e um grupo de amigos fomos visitar um asilo. Nós chegamos lá por volta das 14h. Esse é mais ou menos o horário em que os idosos estão tomando café da tarde. Em seguida, nós fomos para área das mulheres, fiquei muito surpresa com as histórias que elas me contaram.

Emily e seus amigos na visita ao asilo

Lembro de uma senhorinha que me deixou muito feliz com uma coisa que ela falou. Ela disse que não tinha muitos parentes e nem amigos, mas que mesmo assim ela era uma senhora muito extrovertida e feliz. Isso me fez refletir que às vezes a gente reclama muito por pouca coisa e essas pessoas que não têm quase nada são felizes.

Na sequência, fomos para área dos senhores e logo após fomos para a área chamada lar, onde ficam as pessoas que pagavam para morar no asilo. Quando a gente entrou, eles estavam assistindo televisão, então nós fomos conversar com eles.

Outra mulher me surpreendeu ao dizer que fazia só três dias que ela estava lá, que ela tinha sido roubada e perdido tudo o que tinha e que a sobrinha dela viaja muito trabalhando e colocou ela lá, pois não tinha tempo para cuidar dela. Essa senhora estava muito triste porque não estava acostumada a ficar lá ainda e ela não tinha nenhuma amiga.

Por fim, eu agradeço a todos do projeto Memórias na Rede, por me ajudarem a saber um pouco mais sobre a redação e também pela visita ao asilo que me fez meditar sobre lições importantes da vida.


Autora: Emily Silva

Sobre o amor

Era uma vez, Cândido, um senhor de oitenta anos que tinha quatro netos. Seus nomes eram: João, Eduardo, Samuel e Teco.
Certo dia, seus quatro netos o indagaram sobre a gênese do mundo e Cândido, com grande afinco, contou-lhes uma história diferente em relação às ditas no cotidiano das crianças.
Ele contou que há muito tempo, o Amor nasceu e era parecido com um beijo de duas estrofes que se rimam. Logo após, seu surgimento, o tempo passou e o amor estava sozinho, grande, com sua mente cheia de sonhos, mas com as mãos vazias.
Ele acreditava em muitas razões, entretanto, havia apenas uma para acreditar. Como, por exemplo, ser a morada do homem ao saber que a cabeça ensina falar, mas o amor a calar.
O Amor sentia vontades e resolveu criar um caminho para elas. Para isso, trabalhou para alcançar a todos em sua jornada, bastando sentir a coragem, aquela que domina o medo, quando este é ausente.
Consequentemente, o amor cresceu a cada dia mais com determinados aprendizados, mas ele sabia que estava se passando muito tempo. Dessa maneira, logo resolveu começar sua caminhada ao cabo de roubar o Coração. E, com urgência, procurou por vários lugares, ficou cansado e em seguida, sentiu vontade de descansar.
Sendo assim, Amor, descansou. Todavia, ele não acordava mais. Porém, felizmente, o Coração achou-o e pegou-o, sem saber a razão. Respectivamente, quando o Amor sentiu o Coração acordou de súbito e embriagado com essa emoção, perguntou:
- Meu caro, eu não sou seu. Sou puro e não pode me tocar, pois procuro... um coração.
No mesmo instante, ele ficou extasiado com a energia do Coração.
- Amor, eu sou um coração, sua essência e sua base, segundo seus mandamentos. Senti-os quando toquei você. Um deles é: quem não tem caráter, não é homem, é objeto. Eu não quero ser objeto, e sim completo. E, eu sei também do seu desejo para encontrar alguém como eu, mas que algum coração no mundo tenha tanta sorte como eu de encontrar, por acaso, o verdadeiro amor esperando meu toque, disse, o Coração, já desesperado pela aceitação do Amor, diante dele.
Logo em seguida, o Amor, calou-se, profetizando a criação de seres criados por sentimento e movidos por sentimentos.
O vovô Cândido finalizou a história para seus netos, e, em seguida, Teco perguntou a ele:
Imagem ilustrativa | Via: bardeferreirinha.blogspot.com
-Por que as pessoas não contam essa história, vovô?
Cândido, escreveu em um papel a resposta e disse ao neto:
- Quando tiver minha idade, leia esta frase com mais atenção e irá entender o motivo do nosso mundo ser diferente da história. Disse o avô, sorrindo levemente para Teco.
Teco guardou a carta que dizia o seguinte: “Os amados não devem morrer, pois o amor é imortal.”

Autora: Brenda Ellora Alves

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Dalma e José



E foi assim que aconteceu... Seu José se mudou para a casa ao lado da casa de Dona Dalma há muitos anos, ambos saíam em seus quintais, se olhavam e acenavam um para o outro.

Seu José era um homem bonito, de olhos verdes e cabelos crespos, recorda Dona Dalma. Depois de um tempo, não demorou muito para descobrirem que se amavam, e que esse amor duraria para sempre. Dona Dalma tinha apenas 17 anos quando seu José a pediu em casamento, deixando claro que ela já era a mulher da vida dele.

O casamento sempre foi ótimo. Nunca sentiram ciúmes, pois os dois confiavam muito um no outro, e também tiveram filhos, filhos muito bonitos e que seguem os passos dos pais de se envolverem com pessoas que valem a pena.

Algum tempo depois, seu João foi eleito prefeito da cidade, e segundo Dona Dalma, ela adorava ser primeira-dama, porque podia ajudar o marido nas melhorias da cidade. Sendo assim, os anos passam e os dois continuam juntos como sempre, seja lá onde estiverem, até mesmo no asilo, que é o lugar onde vivem hoje.

Lá podemos ver que o amor dos dois nunca mudou, podemos ver Seu Jodormindo em sua poltrona e Dona Dalma ao seu lado, segurando sua mão, demonstrando que o carinho que ela sente por ele nunca diminuiu, mas só aumentou com os anos, e assim podemos falar também de Seu Jo, que se sente totalmente seguro com sua mulher ao seu lado.

Autora: Paula Martins

A vida, o tempo, e minha velha cadeira de balanço

Aqui estou eu, sentada sobre a velha cadeira de balanço que Josefina, minha única filha, gostava tanto!
Lembro-me bem que no ano de 1946, do dia de minha querida santinha de devoção, Nossa Senhora da Esperança, vi Josefina, na sala da nossa casa, conversando com a cadeira, a que contei anteriormente.
Dona Otília, a dona desta história
Eu escolhia os feijões da última colheita, e quando passava de um cômodo para outro, a via sempre entretida. Parecia que a cadeira, para ela, era a sua melhor amiga, e que a ela contava seus segredos.
Cheguei a pensar que ela precisava ter mais contato com a criançada, ou ter uma ocupação, até mesmo bordado e crochê como as mocinhas da Rosa do Chico. Tanto talento tinham, e ainda ajudavam nas despesas da casa, pois eram em cinco pessoas. Mas pensei melhor e mudei de ideia. Josefina era muito menina, não iria se animar em ver linhas e agulhas e panos de bordado na maior parte do dia, enquanto a molecada brincava lá fora. Graças a Deus, meu marido tinha boa renda, e dava pra viver com luxo em relação às famílias da minha época.
Apesar de morarmos numa cidadezinha do interior, onde ainda se brincava do que meu irmão e eu brincávamos, por volta de 1927, Josefina preferia ficar horas conversando com as amigas, brincando sozinha ou andando pelo pomar, tocando e apreciando os frutos do nosso abençoado sítio.
Mas, naquele dia foi diferente. Era como se estivesse com alguém de verdade, pois ouvia, falava e tentava tocar, o que a fez parecer estar alegre como nunca a vira antes.
Olhei para a sala, e a vi novamente. De supetão, parei de escolher os feijões, me levantei e fui conversar com ela. Recordo-me até das palavras que usamos, e do olhar que ela me deu, ao me aproximar.
- O que você está fazendo aí, em frente a essa cadeira há tanto tempo, minha filha?
- Mãe, é a vovó, não tá vendo?
Naquele momento percebi que os pelos do meu corpo se arrepiaram. Por mais que eu não acreditasse que os mortos pudessem manter contato conosco, as palavras de Josefina eram tão convictas, que não aguentei e desabei em lágrimas.
Josefina parece que compreendeu minha emoção. Mesmo em prantos, tive forças para perguntar a ela:
- E o que vovó te disse?
- Ela disse que sempre vê o tudo o que eu faço. Mas como, mãe, se ela tá lá no céu, como a senhora sempre diz?
- Mas de lá de cima deve dar pra ver tudo, minha filha, tudo. Acho que, quando ela quer, vem aqui em casa, como agora, nos visitar. Só que quase sempre não a vemos
- É verdade mãe, porque depois que a senhora veio, ela levantou da cadeira e me disse que sempre tá perto da gente, que eu vou vê-la de novo e que não vai demorar... Parece que ela não queria mesmo que a senhora a visse.
Lembro-me, chorei demais pelas palavras que minha mãe, a avó de Josefina, usou. Como "não vai demorar"? Naquela época, minha filha tinha apenas onze anos, não suportaria perdê-la!
Só depois de sete anos é que parei de pensar no que aconteceu, no ano em que Josefina se casou. Minha mãe sempre dizia que no céu não se tinha noção de tempo, e talvez fosse verdade. Talvez não fosse a morte o que minha falecida mãe se referia; talvez ela apareceu à minha filha outra vez e ela não me contou; talvez eu tivesse sofrido em vão.
Somente no ano de 1978 eu, aos sessenta e um anos, entendi, finalmente, o que mamãe quis dizer. Josefina faleceu de câncer no pulmão, aos quarenta e três anos.
Sofri durante anos, apesar de ter aproveitado bem o tempo que estive com ela nesta vida.
Consegui superar a dor com a ajuda das minhas queridas netinhas, a Roseli e a Patrícia e com as lembranças da minha Josefina.
Hoje elas são professoras, ensinam os jovens a ler e a fazer continhas, coisas que eu não tive oportunidade quando menina, só depois de velha.
E agora olhando para essa cadeira tão antiga, na qual faço meus tapetes pra vender quando vêm visitas aqui no asilo, onde moro hoje, ainda tenho forças pra continuar, pois sei que há muita gente que sofreu muito mais do que eu sofri. Acredito que como Josefina, breve estarei ao lado de minha mãe e de meu marido lá no céu, com os anjos, os santos e com o meu bom Deus.
Autora: Andressa Francelina