Como
não me encantar com essa senhora de nome de flor? Ainda mais, minha
flor preferida!
Teci
tranças com seus longos fios grisalhos.
Comprei
bilhetes de loteria, me vesti de noiva com o vestido que ela costurou
pra mim, conheci seu marido (‘’um pedaço de mal caminho’’).
Fiz
tudo que ela me propôs, tudo que acontecia em seu mundo.
Nos
tornamos amigas.
Certo
dia, cheguei e ela não estava lá.
‘’Caiu’’,
disseram. ‘’Foi pra Santa Casa.’’
Me
entristeci. Começava março.
No
dia do meu aniversário, cerca de uma semana depois, retornei ao
asilo.
Lá
estava! Margarida!
A
pobrezinha, porém, estava abatida.
Não
falava, não vendia seus bilhetes, não me contava da Hungria.
Sentei-me
ao seu lado e lhe dei a mão.
Ficamos
em silêncio, colocando o carinho no olhar.
Um
bom tempo depois, ela sorriu.
E
sorrindo, disse: ‘’é seu aniversário. Vá ao jardim e colha as
flores mais bonitas. Esse é meu presente.’’
Depois,
nunca mais ouvi sua voz.
Mas
esse presente, eu ainda guardo comigo.
Autora: Larissa Lopes





